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Quinta, 01 Novembro 2018 17:00

Cavalos de potência? Torque? Entenda!

É muito comum enfatizarem esses dados na indústria.
Por Diário do Litoral
De Santos

    Você já deve ter ouvido falar sobre os cavalos de potência (cv) e o torque (kgfm) do motor, não é mesmo? É muito comum na indústria automobilística enfatizarem esses dados. Mas como são medidos tais números do veículo? Na coluna dessa semana irei esclarecer justamente essa curiosidade.

    Primeiramente, sabe por que são chamados ‘cavalos’? Por causa do trabalho realizado por esses animais nas minas de carvão inglesas do século 18. Os donos dessas minas foram os primeiros clientes dos fabricantes de motores movidos a vapor. Essas engenhocas acionavam máquinas que transportavam carvão do interior da mina até a superfície.

    Antes do motor a vapor, essa tarefa era feita por cavalos que, por meio de um sistema de cordas e roldanas, puxavam baldes cheios do produto. Portanto, nada mais natural que comparar a força dessas máquinas à dos equinos. A ideia foi do inventor escocês James Watt, que trabalhou no desenvolvimento desse tipo de motor. Ele calculou que, em média, um cavalo conseguia subir 100 quilos de carvão a uma certa altura por minuto. Na hora de generalizar a medida, ele aumentou a carga em 50% e instituiu a unidade de “um cavalo de potência” como a força necessária para levantar 150 quilos por 30 metros de altura em um minuto.

    Os famosos ‘cavalos’ e kgfm dizem muito sobre o carro. Um modelo com um bom torque arranca mais rapidamente e consegue enfrentar ladeiras com mais facilidade. Já a potência está relacionada com o quanto o carro consegue andar em termos de velocidade máxima. Irei dar um exemplo: a Ferrari 812 Superfast esbanja 800 cv, o que a faz chegar aos 100km/h em 2,9 segundos. Os valores da potência e de torque são definidos a partir de um equipamento chamado dinamômetro.

    A potência e o torque do motor podem ser medidos nesse aparelho, seja ele de rolo ou de bancada. No primeiro, o carro é colocado inteiro no equipamento e assim é calculado a energia que chega às rodas do automóvel. No entanto, há algumas perdas de energia à medida que o carro faz alguns movimentos mecânicos, como, por exemplo, girar a embreagem. Em termos práticos, o motor tem 180 cv, mas na roda chega 120 cv.

    Vale lembrar, ainda, que existem normas para realizar a medição. A temperatura e a pressão devem ser controladas no ambiente. Por isso as montadoras costumam utilizar o dinamômetro de bancada para chegar aos valores. Nesse caso, apenas o motor é colocado no equipamento.

    Dependendo da posição do acelerador e da rotação do motor, é gerada uma determinada força [em cima do dinamômetro] que é traduzida em torque. Quando se chega ao ponto de força máxima é definido qual é o torque do motor. Geralmente, ele se dá em rotações medianas de 2000 a 4000 rpm. O resultado é aplicado em uma fórmula para se chegar ao valor da potência.

    Para divulgar esses números no mercado, as montadoras escolhem cerca de cinco motores pré-série, roda por algumas horas e depois traça uma média de torque e potência. No fim das contas, as empresas não vão usar nem o melhor motor nem o pior. Na compra de um carro para andar na cidade, engenheiros especializados no assuntos dizem que é importante estar atento ao torque. Segundo eles, o interessante é ter um torque alto em uma rotação baixa. É o que vai te dar o prazer de saída.

    Quem pensa que potência é apenas sinônimo de velocidade, é melhor tomar cuidado. É importante ressaltar que o peso do veículo também pode influenciar nessa conta. Ter 100 cv em um carro popular pode ser bom, mas em um sedã pode não ser tanto assim. No fim das contas, depende onde esses cavalos estão instalados.

    Pois bem, agora você já está por dentro do assunto, tanto no contexto histórico quanto na área mecânica. E na próxima vez que for escolher um carro, tenho certeza que se lembrará dessa coluna. Até semana que vem!