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Quinta, 01 Novembro 2018 13:00

Segurança no trânsito: antes tarde do que nunca

Irei falar sobre um plano do governo em relação à segurança no trânsito.
Por Diário do Litoral
De Santos

    Aproveitando o clima eleitoral que toma conta do nosso País, irei falar na coluna desta semana sobre um plano do governo em relação à segurança no trânsito. O Ministério das Cidades apresentou oficialmente, no fim de setembro, o Plano Nacional de Redução de Mortes e Lesões no Trânsito (Pnatrans). Com ele, a principal proposta é reduzir o número de mortes e acidentes no trânsito pela metade até 2021.

    Sem dúvida alguma, a iniciativa é nobre, mas está atrasada "um pouco" - nada menos do que 17 anos. Em 2001, a Organização Mundial de Saúde (OMS), em conjunto com a Organização das Nações Unidas (ONU), estabeleceu que, em todo o mundo, o número de mortes no trânsito deveria ser reduzido pela metade dentro de uma década.

    Exatos 17 anos depois, o governo brasileiro quer estabelecer parcerias entre órgão reguladores de segurança rodoviária nacional e o Conselho Nacional de Trânsito para atingir a meta estabelecida pela OMS. Mas, como se diz, antes tarde do que nunca.

    A iniciativa, em suma, tem como objetivo conscientizar os condutores em todo País, para que eles saibam que cada um tem que fazer a sua parte.

    Apesar de ainda estar distante da mortalidade zero, o Pnatrans é um passo adiante para um trânsito mais seguro. A Lei já vigora desde janeiro desse ano, mas as metas impostas para cada estado foram divulgadas durante a Semana Nacional do Trânsito, que aconteceu no último mês de setembro.

    As metas serão estabelecidas e fiscalizadas anualmente pelo Contran, após serem apresentadas como forma de proposta pelos Cetrans, Contrandife e Polícia Rodoviária de cada Estado até o dia 1º de agosto de cada ano. As propostas devem vir junto de ideias de ações, projetos ou programas para cumprimento das metas, e seus respectivos orçamentos para a implementação de cada um.

    E quando o tema é segurança no trânsito, temos um bom exemplo em terras europeias. O Instituto Nacional de Pesquisa em Trânsito da Suécia mostra que o mapeamento eficiente de todos os acidentes no país foram essenciais para a redução no número de mortes no trânsito, proporcionado através do Programa Visão Zero, fundado em 1997.

    De acordo com os suecos, houve um aprimoramento na coleta de dados, adotando um novo método para complementar os números oficiais das polícias. Criou-se um sistema em que foram cruzados os dados de todos os hospitais do país com os dados policiais.

    O Pnatrans adota esse preceito como inspiração e também prevê o mapeamento de informações estatísticas sobre acidentes em todo o território nacional. Caberá ao Conselho Nacional de Trânsito, usar destes dados para obter fórmulas coerentes para cálculos de redução de acidentes para cada estado separadamente.

    Dentro do programa, também está o incentivo a campanhas de conscientização da população, o que também é um passo importante para a construção de um trânsito mais seguro.

    A partir do momento em que consideramos que lesões e mortes no trânsito são um desastre causados por nós mesmos (não são originados por um vírus ou um desastre natural), começamos a nos responsabilizar e reconhecemos que existe uma responsabilidade compartilhada em jogo.